Valeda na DMRI seca: como funciona, quem pode usar e quais exames avaliam a indicação

O Valeda para DMRI seca é um tratamento por fotobiomodulação indicado para pacientes selecionados. 

Na prática, ele utiliza luz em comprimentos de onda específicos, sem incisão e sem injeção intraocular. Mas ter o diagnóstico de degeneração macular relacionada à idade na forma seca não significa, por si só, ter indicação para o tratamento.

No consultório, costumo começar avaliando três pontos: em que estágio está a doença, como está a visão e o que os exames mostram sobre a mácula. 

Inclusive, o National Eye Institute, por exemplo, classifica a DMRI seca em estágios inicial, intermediário e avançado, e essa diferença interfere diretamente na conduta.

Como funciona o Valeda na DMRI seca?

O funcionamento do Valeda na DMRI seca é muito interessante. Trata-se do tratamento feito com luz, sem cirurgia ou injeções. 

Durante a sessão, o paciente fica sentado diante do aparelho, que emite luz em comprimentos específicos para estimular processos celulares da retina – essa  técnica é chamada fotobiomodulação. 

O procedimento leva poucos minutos por olho e não costuma causar dor ou desconforto. Depois, o paciente pode retomar suas atividades habituais.

Uma dúvida que alguns pacientes têm e já respondo por aqui: também não há uma etapa da fotobiomodulação para ser feita em casa. 

O tratamento é realizado no equipamento, em uma série de nove sessões ao longo de três a cinco semanas, geralmente. Em casa, o paciente só precisa seguir normalmente os demais cuidados e orientações definidos para a sua DMRI.

E o que podemos esperar do tratamento? 

O objetivo é preservar e melhorar a função visual em pacientes que se enquadram nos critérios de indicação. 

Nos dados que embasaram a autorização do Valeda pela FDA, por exemplo, após cerca de dois anos, os pacientes tratados apresentaram, em média, aproximadamente uma linha a mais de acuidade visual em comparação com aqueles que não receberam o tratamento.  

Mas lembro que isso é uma média dos pacientes estudados e não uma garantia de resultado individual. Cada caso é um caso, e os resultados podem ser superiores ou inferiores a esse indicador.

Quem pode fazer Valeda?

Muitos pacientes podem, mas nem todos com DMRI seca são candidatos ao tratamento.

Geralmente, podem fazer Valeda os pacientes com determinadas faixas de acuidade visual e características específicas da mácula, como presença de drusas ou atrofia geográfica que não comprometesse o centro da visão. A DMRI úmida e a atrofia geográfica central não fazem parte dessa indicação.

Por isso, dois pacientes com o mesmo diagnóstico podem receber orientações diferentes. Em um caso, o acompanhamento pode ser suficiente. Em outro, pode haver indicação de suplementação AREDS2. Em pacientes selecionados, a fotobiomodulação pode entrar na estratégia.

Quais exames ajudam a definir a indicação?

A avaliação começa pela medida da acuidade visual e pelo exame da retina.

  • O OCT é um dos exames mais importantes nesse processo. Ele mostra as camadas da mácula em detalhes e ajuda a identificar drusas, áreas de atrofia, alterações estruturais e presença de líquido.
  • A autofluorescência também pode ajudar a avaliar alterações do epitélio pigmentar e áreas de atrofia.
  • Quando existe dúvida sobre possível formação de vasos anormais, exames como OCT-angiografia ou angiografia podem ser necessários para excluir a forma úmida da doença.

Por que é importante diferenciar DMRI seca e úmida?

Basicamente, porque o tratamento da DMRI seca é um, enquanto o da versão úmida é outro. Afinal, as condições de cada quadro são diferentes. 

Na DMRI úmida, surgem vasos sanguíneos anormais que podem liberar líquido ou sangue na região da mácula. Nesses casos, o tratamento geralmente é feito com medicamentos anti-VEGF aplicados por injeção intraocular.

Por isso, antes de indicar fotobiomodulação, precisamos confirmar com segurança qual forma da doença está presente.

Valeda substitui as vitaminas para DMRI?

Não, explico. A suplementação AREDS2 e a fotobiomodulação têm indicações diferentes. Dependendo do estágio da DMRI, o paciente pode precisar de acompanhamento, suplementação, Valeda ou uma combinação de cuidados que definimos. 

Ainda, mesmo depois do tratamento, o acompanhamento da mácula continua importante. Exames periódicos ajudam a observar a evolução da doença e a identificar mudanças que possam exigir outra conduta.

Como sei se o Valeda é indicado para mim?

Para saber se o Valeda é indicado para seu caso, é necessário consultar um oftalmologista especialista em retina e vítreo. 

Como esse especialista, no meu atendimento, reúno a acuidade visual, o estágio da DMRI, as características observadas no OCT e nos demais exames da mácula para entender o quadro. A partir disso, é possível avaliar se a fotobiomodulação faz sentido no caso.

O Valeda pode ser uma opção importante no tratamento da DMRI seca, mas a indicação começa pelo diagnóstico preciso e pela seleção adequada do paciente.