Tratamento da DMRI seca: como funciona
O tratamento da DMRI seca depende do estágio da doença, das alterações encontradas na mácula e do risco de progressão. Em alguns pacientes, a melhor conduta é acompanhar com exames periódicos. Em outros, podem entrar medidas como controle de fatores de risco, suplementação em perfis específicos e fotobiomodulação com Valeda quando houver indicação técnica.
No consultório, costumo explicar que DMRI seca não é uma doença que deve ser tratada por impulso.
O primeiro passo é entender em que fase ela está. A degeneração macular relacionada à idade pode afetar a visão central, principalmente leitura, percepção de detalhes e reconhecimento de rostos. O National Eye Institute, por exemplo, descreve que a DMRI tem forma seca e forma úmida, e que a forma seca progride em estágios: inicial, intermediário e avançado.
Então, entender a fase evolutiva da condição é primordial para tratar. Vamos falar sobre isso? Continue a leitura.
O que é DMRI seca?
A DMRI seca é uma alteração degenerativa da mácula, região central da retina responsável pela visão de detalhes.
Ela costuma evoluir de forma lenta e pode estar associada ao afinamento da mácula e à presença de drusas, que são depósitos observados no exame de retina.
Muitos pacientes chegam ao meu consultório preocupados porque ouviram a palavra degeneração. E a preocupação é compreensível, mas o diagnóstico precisa ser colocado no contexto certo.
Quais sintomas a DMRI seca pode causar?
A DMRI seca pode causar dificuldade para leitura, redução de contraste, necessidade de mais luz, piora da visão central, percepção de manchas ou distorção de linhas.
Em fases iniciais, pode não haver sintoma perceptível.
Esse é um ponto importante: a ausência de queixa não exclui alteração macular. É importante que pessoas em risco façam exames regulares, porque a DMRI inicial pode não apresentar sintomas e não se deve esperar a visão mudar para procurar avaliação.
Controle de fatores de risco: por que faz parte do tratamento da DMRI seca?
O cuidado com a DMRI seca também passa por fatores gerais de saúde. Parar de fumar, manter atividade física, controlar pressão arterial e colesterol e ter uma alimentação equilibrada são medidas importantes no cuidado com a visão ao longo do tempo.
O risco de DMRI aumenta com a idade, histórico familiar e tabagismo
Como definimos o tratamento da DMRI seca?
A conduta depende do estágio da doença e dos exames.
Em fases iniciais, muitas vezes o tratamento da DMRI seca é acompanhamento, orientação sobre hábitos e avaliação periódica da retina.
Na DMRI intermediária, a suplementação em perfis específicos pode ser considerada. Em casos selecionados, a fotobiomodulação com Valeda pode entrar na conversa.
A decisão não deve ser baseada apenas no nome DMRI seca.
Avaliamos acuidade visual, exame de fundo de olho, OCT, presença de drusas, sinais de atrofia, risco de progressão e possibilidade de conversão para a forma úmida.
Quando apenas acompanhar?
Em alguns pacientes, principalmente em fases iniciais e sem sinais de maior risco, acompanhar pode ser a conduta mais adequada. Isso significa examinar a retina com regularidade, comparar imagens e observar se há mudança estrutural na mácula.
Acompanhamento não é ausência de cuidado. Pelo contrário: é a forma de saber se a doença está estável, se mudou de estágio ou se surgiu algum sinal que exige outra conduta.
Valeda na DMRI seca: como funciona?
O Valeda é um sistema de fotobiomodulação que usamos em casos selecionados de DMRI seca. Ele aplica luz não coerente em comprimentos de onda específicos, com o objetivo de melhorar a função visual em pacientes dentro de critérios definidos.
Na prática, não se trata de cirurgia, injeção intraocular ou laser para queimar tecido. É uma tecnologia de fotobiomodulação, realizada em sessões, com indicação baseada em exame clínico, imagem da retina e critérios técnicos.
Quem pode se beneficiar do Valeda?
A seleção depende da acuidade visual, das características observadas na retina e da ausência de situações que mudam a conduta, como DMRI úmida ou atrofia geográfica envolvendo o centro da mácula.
Geralmente, é possível fazer a indicação do Valeda para pacientes com melhor acuidade visual corrigida entre 20/32 e 20/70, com DMRI seca caracterizada por pelo menos três drusas médias, drusas grandes ou atrofia geográfica não central, e sem maculopatia neovascular ou atrofia geográfica envolvendo o centro.
Essa explicação é técnica, mas importante para que fique claro o seguinte: esse é o motivo pelo qual eu não trato o Valeda como uma resposta pronta.
Dois pacientes podem ter DMRI seca e, ainda assim, apenas um deles preencher critérios para considerar a fotobiomodulação.
Portanto, como especialista, prezo pela avaliação individualizada e a conduta de acordo com cada caso.
Quando a conduta precisa ser outro caminho?
Se a DMRI seca evolui para a forma úmida, o tratamento muda. Nessa situação, podem surgir vasos anormais e vazamento de líquido ou sangue, e a conduta geralmente envolve tratamentos como injeções intraoculares anti-VEGF.
Também há casos avançados de DMRI seca com atrofia geográfica que exigem uma conversa específica.
Quais exames acompanham a DMRI seca?
O acompanhamento da DMRI seca pode envolver exame de fundo de olho, retinografia, OCT e, em alguns casos, exames complementares para avaliar se há sinais de atividade neovascular ou progressão da atrofia.
O OCT é especialmente importante porque permite observar as camadas da retina e acompanhar a mácula com mais detalhe.
No meu consultório, ele ajuda muito a mostrar ao paciente o que está acontecendo: onde estão as alterações, se há líquido, se há atrofia e se a doença parece estável ou em progressão.
Tratamento da DMRI seca precisa ser individualizado
O tratamento da DMRI seca não deve ser reduzido a um único caminho. Existem pacientes que precisam apenas de acompanhamento cuidadoso. Outros podem se beneficiar de suplementação em perfil adequado. Alguns podem ser candidatos à fotobiomodulação com Valeda. Outros exigem investigação de forma úmida ou discussão de atrofia geográfica avançada.
A decisão certa nasce da avaliação da mácula. Em retina, indicar bem é tão importante quanto tratar.
Vamos avaliar seu caso? Marque uma consulta aqui.
FAQ sobre tratamento da DMRI seca
Sim, mas o tratamento depende do estágio. Pode envolver acompanhamento, controle de fatores de risco, suplementação em perfis específicos e fotobiomodulação com Valeda em casos selecionados.
Para muitas, mas não para todas. O Valeda tem critérios de indicação. A decisão depende da visão, das características da retina, do estágio da doença e da exclusão de situações como DMRI úmida ou atrofia geográfica central.
A suplementação AREDS2 não deve ser entendida como tratamento para melhorar a visão. Em perfis específicos, pode ajudar a reduzir o risco de progressão da DMRI para formas avançadas.
Sim. Qualquer estágio da DMRI seca pode evoluir para a forma úmida. Por isso, distorção súbita, mancha central nova ou piora rápida da visão precisam de avaliação.
Sim. O OCT ajuda a acompanhar a estrutura da mácula, identificar sinais de progressão, avaliar atrofia e verificar se há líquido ou outros sinais que mudam a conduta.
