Hemorragia vítrea: causas, sintomas e quando a vitrectomia pode ser necessária
A hemorragia vítrea acontece quando há sangramento dentro do vítreo, o gel transparente que preenche a parte posterior do olho. Quando o sangue se espalha por essa região, ele dificulta a passagem da luz até a retina e pode causar visão escurecida, embaçada, cheia de manchas ou com perda importante de nitidez.
Embora a hemorragia vítrea não seja o diagnóstico mais comum da rotina oftalmológica, ela merece atenção. Uma revisão publicada no Survey of Ophthalmology, por exemplo, estima a incidência da hemorragia vítrea espontânea em aproximadamente 7 casos por 100 mil habitantes ao ano. O dado ajuda a dimensionar o quadro: não é algo banal, e a causa precisa ser investigada com cuidado.
Vamos falar sobre isso? Acompanhe.
O que é hemorragia vítrea?
A hemorragia vítrea é a presença de sangue dentro da cavidade vítrea. O vítreo, em condições normais, é transparente. Quando há sangramento, essa transparência é perdida em maior ou menor grau e a visão pode ficar subitamente turva ou escura.
O impacto na visão depende da quantidade de sangue, da localização do sangramento e da causa do problema. Em alguns pacientes, a queixa é de manchas móveis e névoa. Em outros, a visão pode ficar bastante comprometida.
Sintomas de hemorragia vítrea
Os sintomas mais comuns incluem visão embaçada, pontos escuros, aumento súbito de moscas volantes, manchas móveis, sensação de fumaça ou névoa, visão avermelhada ou escurecida e perda visual de início repentino.
A hemorragia vítrea nem sempre causa dor. Esse é um ponto importante, porque a ausência de dor não significa que o quadro seja simples. Quando há sangramento dentro do olho, a prioridade é entender de onde ele veio e se existe alguma alteração associada na retina.
Principais causas de sangramento no vítreo
Sempre explico para meus pacientes que as causas mais importantes incluem:
- retinopatia diabética proliferativa,
- rasgos retinianos,
- descolamento de retina,
- trauma ocular,
- oclusões vasculares da retina e
- outras doenças que alteram os vasos do fundo do olho.
Inclusive, a American Academy of Ophthalmology, por meio do EyeWiki, reforça que diabetes, hipertensão, trauma, doenças retinianas prévias e cirurgias oculares anteriores são informações importantes na investigação de hemorragia vítrea.
Hemorragia vítrea em pacientes com diabetes
No diabetes, a hemorragia vítrea pode estar relacionada à retinopatia diabética proliferativa. Nessa fase, vasos anormais podem se formar na retina. Esses vasos são mais frágeis e podem sangrar para dentro do vítreo. Inclusive, quando há muito sangramento na retina ou cicatrizes no olho, a vitrectomia pode ser recomendada.
Hemorragia vítrea, rasgo retiniano e descolamento de retina
Quando a hemorragia vítrea aparece junto com flashes de luz, aumento súbito de moscas volantes, sombra lateral ou sensação de cortina, é preciso avaliar a retina rapidamente. Esses sintomas podem estar associados a rasgo retiniano ou descolamento de retina.
Quais exames podem ser necessários?
Geralmente, começo a avaliação pelo exame oftalmológico e pelo exame do fundo de olho, na maioria dos casos com dilatação da pupila.
Quando o sangue impede a visualização adequada da retina, o ultrassom ocular pode ser necessário para investigar se há rasgo, descolamento de retina, membranas de tração ou outras alterações na parte posterior do olho.
Em alguns casos, depois que a visão da retina melhora, exames como OCT, retinografia ou angiofluoresceinografia podem complementar o diagnóstico e ajudar no planejamento do tratamento.
Mas cada paciente é avaliado individualmente, ou seja, a bateria de exames pode variar de acordo com a necessidade do caso.
Quando observar e acompanhar?
Nem toda hemorragia vítrea precisa de cirurgia imediata. Em alguns casos, quando a retina está aplicada, não há rasgo identificado, o sangramento está regredindo e a causa pode ser acompanhada com segurança, a conduta pode ser observação clínica com retornos programados.
Mas lembro: acompanhar não significa esperar sem critério. Significa avaliar a retina, repetir exames quando necessário e garantir que não exista uma causa que precise de tratamento mais rápido.
Quando a vitrectomia pode ser necessária?
A vitrectomia pode ser indicada quando o sangramento não regride, quando impede a avaliação adequada da retina, quando há rasgo ou descolamento de retina associado, quando existe tração sobre a retina ou quando é necessário tratar a causa do sangramento por dentro do olho.
- Na vitrectomia, removemos o vítreo com sangue para melhorar o acesso à retina e realizar o tratamento necessário. Dependendo do caso, isso pode incluir laser, remoção de membranas, tratamento de rasgos ou outras manobras cirúrgicas.
A visão volta ao normal depois da hemorragia vítrea?
A recuperação depende da causa do sangramento, da quantidade de sangue, do tempo de evolução e da condição da retina e da mácula. Em alguns pacientes, a visão melhora conforme o sangue é reabsorvido ou após o tratamento. Em outros, a prioridade é estabilizar a retina, tratar a causa do sangramento e reduzir o risco de novas perdas visuais.
Por isso, sempre separo duas perguntas no atendimento: o que está atrapalhando a passagem da luz e o que causou esse sangramento. Tratar apenas a opacidade sem entender a origem pode deixar uma doença importante sem controle.
Como escolher um especialista para tratar hemorragia vítrea?
Como oftalmologista especialista em retina e vítreo, sempre recomendo que os pacientes procurem médicos focados nessa área para o tratamento da hemorragia vítrea.
No meu atendimento, a conduta começa pela avaliação da causa, por meio do entendimento do histórico, análises clínicas e exames.
A partir disso, definimos se o quadro pode ser acompanhado, se precisa de laser, injeções, controle da doença de base ou vitrectomia.
O objetivo é preservar a visão possível, tratar a causa do sangramento e agir no tempo correto.
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FAQ sobre hemorragia vítrea
Pode ser. A gravidade depende da causa. Algumas hemorragias podem regredir com acompanhamento, mas outras estão associadas a rasgos, descolamento de retina ou retinopatia diabética avançada.
Nem sempre. Muitas vezes, o paciente percebe visão turva, escura, com manchas ou perda visual súbita, sem dor.
Não. Alguns casos podem ser acompanhados. A vitrectomia pode ser necessária quando o sangue não regride, impede a avaliação da retina ou está associado a alterações que exigem tratamento cirúrgico.
Sim. Em fases avançadas da retinopatia diabética, vasos anormais podem sangrar dentro do vítreo.
Sim. Quando o sangue impede a visualização da retina, o ultrassom ocular pode ajudar a investigar rasgos, descolamento de retina, tração ou outras alterações.
